Viagens

Relato de Viagem: Nepal – Parte I

Olá, pessoal!

Como prometi no último post, hoje vou falar sobre a minha última viagem: uma aventura de dois meses e meio pelo Nepal e pela Índia. Bem, nós (eu e o André, meu namorado) decidimos viajar no meio do semestre para dar um tempo da faculdade. Queríamos voltar renovados — e inspirados — para enfrentar o temido TCC (esse ano eu me formo, gente!). O país de destino, a gente sabia desde o começo, não seria nada convencional — e realmente não foi.

Embarcamos no dia 4 de setembro de 2015. Duas mochilas nas costas e pouco dinheiro no bolso (sorte que o Nepal e a Índia são figurinhas carimbadas das listas que elegem “Os Países Mais Baratos do Mundo para Viajar”). Saímos daqui com um guia do Nepal e algumas anotações sobre o roteiro — cidades imperdíveis, passeios incríveis, dicas de restaurante — mas nada muito definitivo. A ideia era ir fazendo as coisas de acordo com a nossa vontade, sabe? Tempo a gente tinha.

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Eu e ELA em Guarulhos 🙂

Viajamos com a Etihad, empresa aérea dos Emirados Árabes. Saímos de Florianópolis, paramos em Guarulhos e de lá fomos até Abu Dhabi. Depois de 15 horas de espera, pegamos o voo para Kathmandu, capital do Nepal. Vale mencionar que em abril de 2015 o país foi atingido por um terremoto de grandes proporções (vocês acompanharam as notícias? Foi muito triste!).

Nunca vou esquecer da reação que tive quando o piloto anunciou que estávamos prestes a pousar em Kathmandu. Primeiro, porque conseguimos ver as montanhas. A Cordilheira do Himalaia estava tão pertinho da gente! Que sensação incrível! Segundo, porque Kathmandu vista de cima é, na falta de uma palavra exata em português, overwhelming. Sabe quando você vê essas imagens aéreas de cidades e é tudo organizado, planejado, geométrico? Kathmandu é tudo menos isso. Caótica, bagunçada, barulhenta. Mesmo a tantos mil metros de altitude, você consegue perceber o caos.

O aeroporto de Kathmandu é o único aeroporto internacional do país. Para quem tinha passado pelos modernosos aeroportos de Guarulhos e Abu Dhabi, a sensação, ao chegar no Nepal, é que você desceu em uma rodoviária do interior do Brasil. Não espere encontrar lojas, restaurantes, wi-fi. Não tem nada disso.

Brasileiros precisam de visto para entrar no Nepal. É muito tranquilo de obter o documento. Basta preencher uma folhinha com seus dados e pagar a taxa ali mesmo no aeroporto. Sem filas, sem dor de cabeça. A parte difícil é sair do aeroporto. Assim que colocamos os pés na rua, uns 10 taxistas (sem brincadeira!) nos abordaram:

 Qual hotel vocês querem ir? Vocês já tem reserva? De onde vocês são? Americanos?

Já tínhamos lido sobre essas situações e imaginávamos que, por conta do terremoto e da consequente queda do número de turistas no país, seríamos ainda mais visados.

Para a primeira semana, reservamos um quarto no Airbnb. A casa ficava em um bairro residencial da cidade, a cerca de 15 minutos do centro turístico de Kathmandu, o Thamel. O nosso host, Pawan, foi bastante receptivo e nos deu várias dicas — não só sobre a cidade, mas também sobre os outros lugares que estavam no nosso roteiro. Foi super importante ouvir a opinião de um local sobre as nossas ideias!

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Primeiro “hotel” no Nepal: airbnb ❤

Kathmandu é fascinante. Nos primeiros dias, ficamos o dia inteiro fora de casa. Passamos horas andando pelas ruas e ruelas, comemos muito bem, vimos templos incríveis. Visitamos o Pashupatinath Temple, onde os hindus cremam os corpos, e andamos pelas praças de Kathmandu e Patan, uma cidade vizinha. Confesso que, na primeira semana, conferia regularmente o site da agência sismológica nepalesa. Mesmo depois de quase cinco meses do grande terremoto, várias localidades ainda sentiam tremores com certa frequência.

Muitas pessoas nos perguntaram sobre a destruição. Nossas famílias até brincaram, antes da viagem, que estava tudo destruído por lá e que não tinha mais nada pra ver. É verdade que em cada esquina alguma coisa nos lembrava da tragédia de 25 de abril de 2015. Ouvimos relatos sobre o dia do terremoto. Mas sinceramente? Não estava tão horrível como a gente imaginava que estaria. Não deixamos de visitar nenhum monumento por conta disso. O Nepal continuava lindo. 

Depois da primeira semana em Kathmandu, nos aventuramos pelo interior do país. Fizemos trilhas, tentamos ver as montanhas (as nuvens não deixaram!), andamos de ônibus local (uma aventura por si só). Um dos momentos mais marcantes, pra mim, foi o dia em que participei de um festival só para mulheres, o Teej.

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Teej: festival das mulheres hindus ❤

São três dias de festa. Mulheres hindus, de todas as idades, se vestem de vermelho e dançam por horas e horas. Descobrimos o festival por acaso e, é claro, logo começamos a fotografar e observar a dança. Em certo momento, um homem me disse que eu podia chegar mais perto das mulheres que dançavam e fotografar. Não perdi a chance, é claro. Comecei a fotografar e elas ficaram curiosas pela minha presença. Algumas vieram conversar e, de repente, lá estava eu, de camisa xadrez e legging, dançando junto com aquelas mulheres tão diferentes de mim. Fizemos selfie, e ensinei uns passinhos brasileiros.

O mais legal, no entanto, foi ouvir elas contarem sobre um dos costumes do festival: a lavagem dos pés do marido. Elas me disseram que, ao final da festa, elas devem lavar os pés do companheiro e beber a água da lavagem. No entanto, de uns anos pra cá, elas não fazem mais isso. Se recusam. “A gente só quer dançar, contar histórias, ficar aqui com as nossas amigas e parentes”. Foi tão legal ouvir isso.

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Um dos momentos mais incríveis de toda a viagem!

Depois de mais uns dias pelo interior, pegamos um ônibus para a segunda cidade mais visitada do Nepal: Pokhara. A gente queria relaxar um pouco — a cidade tem um lago enorme e é famosa pela atmosfera tranquila — e nos preparar para uma trilha nas montanhas, em vilarejos pertinho do Himalaia.

Não foi bem assim… Mas isso fica pro próximo post! 🙂

Beijos,
B.

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