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Hello Brasil

Nem parece, mas já faz duas semanas que cheguei no Brasil, que cheguei em casa. Acho que pouca gente fala sobre como é voltar de um intercâmbio de um ano – pelo menos não tanto quanto se fala dos preparativos para a ida ou dos primeiros dias no novo país. Então, pensando nisso, resolvi escrever sobre a minha experiência de volta – de volta pra casa e de volta para a universidade.

Last Days in Nova York

Primeiro, deixa eu contar sobre meus últimos dias na América. Na segunda, dia 11 de agosto, foi meu último dia de estágio no museu. Foi meio sentimental, e me senti muito querida pelos chefinhos. Eles até me deram uma bolsa com um livro, um cartão super fofinho e um buquê de girassóis.

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Cartão fofinho dos chefinhos!

Entre segunda e quinta de manhã, quando fui para o aeroporto, foi uma correria só. Sabe como é, né? Lavar roupa, fazer mala, comprar as últimas coisinhas…aquele stress todo.

Na terça, para fugir um pouco dessa correria (e melancolia) de final de viagem, eu e minha amiga Paula (Oi Paulan!) fomos ver o musical Wicked, na Broadway. Na minha primeira visita à cidade, em 2011, tinha visto Mamma Mia, que foi ótimo, mas ouvi tantos comentários positivos sobre Wicked que não poderia perder a oportunidade de ir. Conseguimos um preço bem legal pelo ingresso (Wicked é conhecido pelos preços altíssimos) – pegamos o ingresso de estudante, então se você pretende ir dê uma checada nessa opção – e o melhor: nossos lugares eram excelentes, relativamente perto do palco! Enfim, foi muito legal, super valeu a pena. O musical é engraçado, as músicas são ótimas e o cenário é mágico. Acho que agrada, facilmente, a família toda.

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Musical incrível!

Na quarta passei o dia correndo de um lado pro outro, fechei as malas –  tive que desapegar de muita coisa – e comi minha última fatia da maravilhosa pizza de alcachofra da Artichoke Pizza.

Chegando em casa

Na quinta, às 8h da manhã, eu, minhas três malas e minha mochila ficamos 1h30min no metrô para chegar no aeroporto JFK. Lá, fiz o check-in, que foi um pouco confuso e demorado, passei pela segurança e peguei o primeiro dos quatro voos que pegaria nas próximas 24 horas.

Fui de NY para Raleigh, na Carolina do Norte, onde fiquei quase sete horas esperando pelo meu voo para Miami, que atrasou quase uma hora, por conta de fortes chuvas na Flórida. Cheguei em Miami por volta das 23h20min para a minha conexão para Guarulhos que sairia às 23h40min – hahahaha

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De Nova York para a Carolina do Norte!

Eu tava bem nervosa, porque não ia dar tempo, não ia dar! Daí, assim que desembarquei, vi um funcionário do aeroporto com uma plaquinha com meu nome. Já imaginava o motivo: eu tava super atrasada. Ele me mandou sentar num daqueles carrinhos de aeroporto e me levou até o portão onde o avião que me levaria para o Brasil estava. Confesso que, agora, toda a situação foi até bem legal. O voo para São Paulo foi tranquilo, mas uma das minhas malas não chegou, o que não foi muito legal, mas ok. A conexão em Miami foi muito louca, então eu tava com receio de que isso acontecesse mesmo…

Assim que passei pela alfândega, com uma mala a menos, senti um cheiro diferente, um cheiro de Brasil: suco de laranja feito na hora e pão de queijo saindo do forno. Senti um alívio imediato. Daí foi só esperar três horas pela minha conexão para Santa Catarina – e pagar R$7,50 numa coxinha que super valeu a pena. A chegada em Navegantes, aeroporto perto da minha cidade, Blumenau, foi emocionante. Assim como tinha dito no meu post de ida, “a sensação de ver as minhas carinhas favoritas no mundo inteiro” é a melhor do mundo! Eles me esperaram com flores, usando máscaras com a minha cara hahaha

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Eles me esperaram assim no aero!

Chegar em casa é muito bom: sentar na sua cama, poder desfazer as malas sem a preocupação de ter que arrumá-las dali um tempo, como aconteceu tantas vezes comigo durante esse ano que passou, comer comida caseira, poder contar e ouvir as novidades ao vivo, poder abraçar as pessoas queridas…tudo isso é ótimo. E fez falta, como fez.

Nos primeiros dias sofri do que decidi chamar de Síndrome do Sonho. É uma sensação estranha, de que tudo que passou naquele um ano fora do Brasil foi um sonho. Eu sei que eu vivi tudo aquilo, e eu tenho fotos, posts, vídeos, amigos e memórias para comprovar, mas ainda assim parece que foi um sonho. Agora meio que já passou isso, mas escrever esse post no mesmo computador, sentada na mesma cadeira onde escrevi o primeiro post desse blog é meio estranho…como o tempo passou voando!

Vista do meu apartamento em Floripa!

Voltando à universidade

Não posso mentir: voltar à UFSC é a pior parte de tudo isso. Eu adoro o curso, gosto muito das pessoas, mas é difícil aceitar o sistema das nossas universidades no Brasil. Eu não tenho poder nenhum de escolher as matérias que eu quero fazer (temos optativas sim, mas temos um currículo de 4 a 5 disciplinas obigatórias por semestre, o que, vamos combinar, faz com que fazer optativas seja mais complicado), as aulas são cansativas e pouco produtivas (por aqui são 4 horas seguidas de aula, enquanto na UNC eu tinha, no máximo, 1h30min de aula, duas vezes por semana) e os professores, em sua maioria, se dividem em dois tipos: aqueles que ficam sentados o tempo inteiro, só falando, sem usar nenhum outro recurso, ou aqueles que gostam de ter fama de mal-humorados, difíceis de lidar, bravos. Assim fica difícil, não?

Eu comentei aqui uma vez que, lá na UNC, eu tinha vontade de estudar, de ir pra biblioteca, de escrever artigos e fazer todas as várias tarefas que eu tinha por dia. Eu sei que não cabe apenas ao professor inspirar seus alunos e que a gente, como estudante de graduação, tem que ir atrás, ler muita coisa por conta própria. Mas que os professores podem inspirar, ah, eles podem. Tive professores ótimos na UNC, mas nunca vou esquecer de uma. Professora de Escrita Criativa, ela lia os meus textos e ficava 20, 30 minutos comigo, depois da aula, para que, juntas, a gente pudesse mudar palavras, mexer nas frases, melhorar o texto. Nunca tive um professor assim na minha universidade no Brasil.

Decidi falar isso porque sinto que muitos outros bolsistas do Ciência Sem Fronteiras se sentem da mesma forma quando voltam ao Brasil – entediados, pouco desafiados, sem bons mentores. Isso não é uma ode ao sistema universitário americano, não é uma prova de que acredito que tudo lá seja perfeito – é só uma opinião de quem acha que nós podemos melhorar e que eles são um bom exemplo.

E o blog, como fica?

Bem, agora que não moro mais em Chapel Hill, nem em Nova York, nem em qualquer lugar dos EUA, provavelmente o foco do blog vai mudar um pouco. Sim, mudar, não acabar. Gosto muito de escrever aqui, e acho que posso continuar postando sobre assuntos como viagens, intercâmbio, bolsas de estudo, educação…que vocês acham?

Fotos de Chapel Hill tiradas com a minha lomo
Fotos de Chapel Hill tiradas com a minha lomo

Beijos,

P.S.: Ah, antes que esqueça: participei da gravação de um documentário sobre os alunos do CsF em Nova York. Aviso assim que eu tiver o link do YouTube 🙂

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11 comentários em “Hello Brasil

  1. Oi Bruna, tudo bem? Acabei de conhecer seu blog. AMO relatos de intercâmbio, pena que cheguei só agora quando seu intercâmbio acabou, mas vou dar uma lida nos arquivos e acompanhar sua re-adaptação depois desse ‘sonho’, hahah!
    Beijos!

  2. Amei a idéia de saber mais sobre viagens, intercâmbio, bolsas de estudo, educação e afins!!! Continua mesmo! Bem vinda ao lar!!! rs..

  3. Oii
    q bom q voltou 🙂
    Sou de Jaraguá, cidade vizinha e sinto a mesma coisa q vc pelas faculdades no Brasil,o q já me fez trancar uma este ano.
    Escreva mais sim
    Sucesso

  4. Pode continuar postando, por que será muito interessante ver o depois do Ciências sem fronteiras na vida dos estudantes contemplados. Muitos desistem de escrever, mas esse blog pode dar frutos mais tarde, sua profissão consiste na escrita. E você escreve de maneira empolgante! Obs.: Não esquece do link do vídeo!

  5. Oi Bruu!!! Adoro seu blog, venho te acompanhando desde o primeiro post, e adoro demais….. Só estou sentindo sua falta por aqui, gosto muito do seu jeito de escrever… Não para não, por favor…. beijos!

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